sábado, 12 de fevereiro de 2011

Serenata de um mau trovador

Serenata de um mau trovador
"Torna-te aquilo que és" ( Friedrich Nietzsche)

Ser é tão difícil
Que tem gente fingindo
Para ser compreendido;
Se esconde no que não faz sentido

Ser é ir de encontro ao desencontro
E ainda questionar tal ponto
Procurando nesse acaso
As soluções para tamanho desencontro

No simples ato de se mascarar com os demais
No simples fato de haver um eu que ninguém veja.
Nessa inverdade mostrar para todos o que quero que vejam.

É com satisfação que muitos matam sua essência
É com coibição que muitos decretam a própria falência
E com descontração que morremos em um teatro de indecências

Para que haja uma ação autêntica,
Mata-se o espírito para que consiga a liberdade.
O céu, o inferno ou o terceiro
Onde moram os hérois da vaidade

Lá existe quem não se omite
Lá se existe, aliás não se acredite
Que mesmo lá onde não existe
Há cabide para um outro fetiche

É com desprezo que se tem apreço
É com carinho que se faz o ódio
E por vulnerabilidade que se pago o preço

No simples fato de ser
No simples fato de querer para ser
Ou no simples fato de parecer

"Liberta-te dos outros"

Gustavo Dib, Café. 08 de Setembro de 2010

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