Devaneios de um platônico
Desejos mudos, uns quereres singelos
De natureza surda, que não te escutam,
Não sabem a hora de parar, nos tornam mais belos.
Só quando estão contigo eles mudam
Tornam-se então à falar
De querer, de sentir, de amar.
Nesses desejos contidos em silêncio,
Quando os dizeres permitem-se do porvir,
Caímos em febris angústias sem contágio.
Com palavras mudas, dizemos para o outro, enfim
Nossos medos nos confundem e nos impedem de tentar,
De querer sentir, de falar e de amar
Não há gesto mais bonito
Proteger sem conhecer, sem entender
Apenas sentir o que nos faz sentir vivos
Amar você, querer ter, querer sem enteder
Para sentir o inebriante perfume dos amantes
Que apenas sonham, sonham com sonhos distantes
Os sonhos lá nas nuvens, onde deveriam ficar
Para que possamos contruir pontes
Com o carinho e o zelo de quem apenas fica à olhar
O amor e a vida à sua frente, somos inocentes
Por que não tentar ligar as margens às pontas
Do sentir, do querer, do amar e do estar.
Estar ali frente à frente
Sem olhos para nós mesmos
Dizer com o coração inflamo
Apenas que te amo.
-Onde estamos?
Gustavo Dib, Café. 27/02/2011