domingo, 20 de fevereiro de 2011

A flor mais bonita


A flor mais bonita
O que vai acontecer
Daqui para frente?
Agora somos só eu e você
Em uma dança envolvente

Gestos simples, palavras doces
E todas as incertezas desaparecem.
Me sinto leve, o céu muda de cor,
Em nossa viagem ao outro, por um ardor.

Esqueço quem sou eu
Nessa primavera de sentimentos
Que nasce devagar e sem formas.

De repente, entre abraços e paixão,
Uma silhueta desconhecida de uma flor,
De pétalas lindas, o amor.

Gustavo Dib, Café. 20/02/2011

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Grande São Paulo


Grande São Paulo
Que saudade da Vila Mariana
De estar deitado naquela cama
Vendo o barulho dos carros ao passar
Daquela cidade que parece nunca parar

Que saudade do Ana Rosa
Das mulheres que ali deixei
Das camas que frequentei
E aquele prazer que sanava

Que saudade da Avenida Paulista
O coração do Brasil em uma única pista
Em dois caminhos sem ida e nem vinda
O gesto de ternura do frio e os sons da Vila Olimpia

Que saudade do meu Refúgio
Onde posso ser verdadeiramente poeta
Onde não me falta infinita inspiração
Que falta faz a minha cidade-coração.

Gustavo Dib, Café! 10 de Outubro de 2010

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Arte por arte


Arte por arte
Arte por arte à realidade.
Através dos meus esquadros,
os quadros-metades, dos sonhos,
antepostos às nossas caras-metades.

As vertentes existentes
às grandes três metades
onde estamos presentes
o eu, os sonhos e as verdades.

Sem encaixe perfeito,
nem mesmo perfeição.
Da origem no berço
aos beiços nos chão.

Nosso grande e soberano ofício
de construção e desconstrução,
de compensação e encaixe.
Olhar equilibrado nos limites, tudo é arte.
(Gustavo Dib, 15/02/2011)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Quem sou eu


Quem sou eu
Já não posso mais contar com o amanhã.
A cada dia que passa não sei o que se passa
Com o meu mundo que a cada dia que construo
E no outro se despedaça.

O mistério do outro dia já não soa interessante,
Para a minha vida que eu profano em vaidade,
De procurar nos sonhos algo que me traga a realidade
Esquecendo que os sonhos
Me perdem no milagre de sobreviver à insanidade.

Minha paixão por viver me faz querer
Tentar enxergar a graça,
Mas a minha doença de viver
Me torna frágil para crêr
Que eu possa receber tudo que pude oferecer,
Então, vivo no dilema
De estar vivo ou apenas sobreviver.

Minha cabeça já não é o melhor lugar,
Meu conforto não é mais pensar.
É complexo e está tarde.
A noite esconde toda a minha coragem
E a ela devo toda minha fidelidade
Dos momentos que pude sentir,
Longe das tormentas do cotidiano,
Um pouco da verdadeira felicidade.

E enquanto eu me transformo à cada dia,
Não me conformo com o que sentia.
Me deparo com quem eu não queria,
O meu Eu de outro dia,
Revelando à todos, as contradições,
De crescer à custa da noite fria
Sem o calor de uma mão que entenda
Que você não é o mesmo.
Noite e dia.

Gustavo Dib, Café.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Ontem

Cupido e Psiquê

Ontem
Ontem, tentei me imaginar sendo você,
Mas não pude entender
Como poderia tentar.
Mesmo sem saber quem é você
Não que eu queira saber,
Mas tenho medo de me perder.

Você me faz correr atrás
Lutando por algo que não sei me satisfaz
Vou andando contra o tempo
Mas não sei se aguento
Você é meu templo e o que me faz.
Querer viver mais.

Ontem eu pude sentir
Que ainda estou longe de ser alguém pra você
Mas acho que fui notado, eu só queria aparecer
Para então você perceber
Que posso te fazer sorrir.

O brilho do sol no seu olhar
Me faz querer dormir
Para que eu possa sonhar
Com você inteira para mim

Você me faz correr atrás
Lutando por algo que não sei me satisfaz
Vou andando contra o tempo
Mas não sei se aguento
Você é meu templo e o que me faz.
Querer viver mais.

Vou me arriscar mais um pouco
É insano não ser louco
Se vale à pena, eu não sei.
Quero sentir para saber,
Só então vou escolher
Um dilema para me entreter.
Mas enquanto não acho o que quero,
Estou aqui só por você.

Você me faz correr atrás.
Lutando por algo que não sei me satisfaz,
Vou andando contra o tempo,
Mas não sei se aguento.
Você é meu templo e o que me faz.
Querer viver mais.

Gustavo Dib, Café.02 de Agosto de 2009.

O grito dos surdos


O grito dos surdos
"Choramos ao nascer porque chegamos a este imenso cenário de dementes." (William Shakespeare)

Queimaram nossas identidades
Crianças, jovens e adultos
Vestem-se da máscara da igualdade
E permitem-se sem questionar, assim mudos.

Pergunto-me sobre a força da vaidade
E escuto gritos de dor sobre maquiagem.
Escondemos as faces atrás de muros alienados
Nos separando do que somos, assim condenados.

Condenados à convivência por conveniência,
À vida sem o amor próprio e sem um toque pessoal.
Configura-se então a luta pelo vazio, leia-se status-social.

Vazio que diz tudo sobre nós, vazios,
Uma nação de iguais ou dementes convenientes.
Assim sendo iguais, não somos nada demais.

Gustavo Dib, 13 de Fevereiro de 2011.

Empatia vazia


Empatia vazia
Tudo ficará melhor, enfim, acredito
No para sempre, em nosso final feliz,
Em que sejamos só crianças, sem um destino,
Agindo por nossa vontade, sem cicatriz.

Respiro de leve para a eternidade
Por algum gesto de amor ou desespero
Algo que desatine a sensibilidade
E me leve para o longe por inteiro

Fora da minha cabeça, estou de novo.
Olhando para dentro vejo meu alento,
Por fora ninguém respira assim por mim

Quem que será frágil para esperar assim?
A vida e a existência são como o mar;
Só não há tempo para o se Afogar.

Gustavo Dib, Café.
03 de Outubro de 2010

Como acontece o Amor


Como acontece o Amor
Por que razão te escolhi?
Já não me lembro mais,
São coisas efêmeras
De quando eu te ví.

Por que razão eu esqueci?
Foi uma emoção forte demais.
Tão rápido foi embora,
Deixou sua marca em mim.

Por que insistir?
Se não há certeza
Poderá ser em vão.

O que é o amor
Se não uma eterna luta,
Sem nenhuma explicação.

Gustavo Borges, Café. 05/02/2011

Serenata de um mau trovador

Serenata de um mau trovador
"Torna-te aquilo que és" ( Friedrich Nietzsche)

Ser é tão difícil
Que tem gente fingindo
Para ser compreendido;
Se esconde no que não faz sentido

Ser é ir de encontro ao desencontro
E ainda questionar tal ponto
Procurando nesse acaso
As soluções para tamanho desencontro

No simples ato de se mascarar com os demais
No simples fato de haver um eu que ninguém veja.
Nessa inverdade mostrar para todos o que quero que vejam.

É com satisfação que muitos matam sua essência
É com coibição que muitos decretam a própria falência
E com descontração que morremos em um teatro de indecências

Para que haja uma ação autêntica,
Mata-se o espírito para que consiga a liberdade.
O céu, o inferno ou o terceiro
Onde moram os hérois da vaidade

Lá existe quem não se omite
Lá se existe, aliás não se acredite
Que mesmo lá onde não existe
Há cabide para um outro fetiche

É com desprezo que se tem apreço
É com carinho que se faz o ódio
E por vulnerabilidade que se pago o preço

No simples fato de ser
No simples fato de querer para ser
Ou no simples fato de parecer

"Liberta-te dos outros"

Gustavo Dib, Café. 08 de Setembro de 2010

Quero sentir

Quero sentir
Quero sentir algo
Que nunca pensei ser real
Algo que não consiga só,
um sonho maior.

Viajar na insconsciência
de quem só quer voar
pelo propósito
de conhecer o mar.

Quero encontrar
a minha estrela
que brilhe por mim
onde quer que eu esteja.

Quero encontrar
A minha sorte
Que viva à minha vida
Até a minha morte

E que nunca me deixe só para o fim

Quero sentir a vida
Pulsando forte
Algo que seja
Mais do que dor

Para que eu possa
Encontrar na sorte
Um lugar que me volte
Para lembrança do amor

Quero encontrar
A minha estrela
Que brilhe por mim
Onde quer que eu esteja

Quero encontrar
A minha sorte
Que viva à minha vida
Até a minha morte

E que nunca me deixe só para o fim

Cá nesse mundo cheio de mim

Gustavo Dib, Café! 23 de Outubro de 2010!

Inconsequência de quem vive

Inconsequência de quem vive

"Querer a verdade é confessar-se incapaz de a criar." (Friedrich Nietzsche)

O que me faz o cansaço?
Tenho a força dos meus pés
Posso andar descalço
Em cinzas às brasas podem queimar

E no encalço outro percalço
O futuro alça meus sonhos
Mas o que me lança para frente
E tenho força nos pés e meu coração está doente?

São sempre tentativas vãs
Tento entender a minha volta
E a cabeça de todo você

Tudo ao meu ver tudo ao meu poder
Tudo uma mentira tudo cem verdades
A minha cabeça nem mesmo pode me entender

O que me fez o que escolhi?
Tenho a força da minha mão
Posso andar de abraços ante a solidão
Mas nem consigo sorrir

E no percurso do meu curso
O futuro alça os meus sonhos
Mas o que me lança para frente
Se tenho forças nas mãos e meu coração está ausente?

Todos que me deixaram e todos que deixei
Tudo que acreditei e o que desacreditei
Herança da minha lembrança morreu à meia-noite

Castelinho de areia rodeado pelo mar
Atrás da linha do horizonte
Há dez virgens em um verdadeiro castelo pra se acreditar

Ao meu ver tenho poder
Sobre a mentira e tampouco a verdade
É um rio com mil margens de crochê

E no percurso do meu curso
O que me lança para frente
É a força que tenho para acreditar
Que a perfeita compreensão tem um coração incoerente

Gustavo Dib, Café. 04 de Setembro de 2010