
Quem sou eu
Já não posso mais contar com o amanhã.
A cada dia que passa não sei o que se passa
Com o meu mundo que a cada dia que construo
E no outro se despedaça.
O mistério do outro dia já não soa interessante,
Para a minha vida que eu profano em vaidade,
De procurar nos sonhos algo que me traga a realidade
Esquecendo que os sonhos
Me perdem no milagre de sobreviver à insanidade.
Minha paixão por viver me faz querer
Tentar enxergar a graça,
Mas a minha doença de viver
Me torna frágil para crêr
Que eu possa receber tudo que pude oferecer,
Então, vivo no dilema
De estar vivo ou apenas sobreviver.
Minha cabeça já não é o melhor lugar,
Meu conforto não é mais pensar.
É complexo e está tarde.
A noite esconde toda a minha coragem
E a ela devo toda minha fidelidade
Dos momentos que pude sentir,
Longe das tormentas do cotidiano,
Um pouco da verdadeira felicidade.
E enquanto eu me transformo à cada dia,
Não me conformo com o que sentia.
Me deparo com quem eu não queria,
O meu Eu de outro dia,
Revelando à todos, as contradições,
De crescer à custa da noite fria
Sem o calor de uma mão que entenda
Que você não é o mesmo.
Noite e dia.
Gustavo Dib, Café.