Inconsequência de quem vive
"Querer a verdade é confessar-se incapaz de a criar." (Friedrich Nietzsche)
O que me faz o cansaço?
Tenho a força dos meus pés
Posso andar descalço
Em cinzas às brasas podem queimar
E no encalço outro percalço
O futuro alça meus sonhos
Mas o que me lança para frente
E tenho força nos pés e meu coração está doente?
São sempre tentativas vãs
Tento entender a minha volta
E a cabeça de todo você
Tudo ao meu ver tudo ao meu poder
Tudo uma mentira tudo cem verdades
A minha cabeça nem mesmo pode me entender
O que me fez o que escolhi?
Tenho a força da minha mão
Posso andar de abraços ante a solidão
Mas nem consigo sorrir
E no percurso do meu curso
O futuro alça os meus sonhos
Mas o que me lança para frente
Se tenho forças nas mãos e meu coração está ausente?
Todos que me deixaram e todos que deixei
Tudo que acreditei e o que desacreditei
Herança da minha lembrança morreu à meia-noite
Castelinho de areia rodeado pelo mar
Atrás da linha do horizonte
Há dez virgens em um verdadeiro castelo pra se acreditar
Ao meu ver tenho poder
Sobre a mentira e tampouco a verdade
É um rio com mil margens de crochê
E no percurso do meu curso
O que me lança para frente
É a força que tenho para acreditar
Que a perfeita compreensão tem um coração incoerente
Gustavo Dib, Café. 04 de Setembro de 2010
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