Sem conduta
Deixem-me à sos com a minha vida
Nosso diálogo, nosso conosco ofício dual
Minha sinceridade me alívia
De dizer para ela que estou cansado
De falar que digo muito
E não falo nada demais
Me surpreendo com as idéias simples
As complexas não tão me interessam
Geniais demais
E os entulhos dessa cidadela
Entopem meu coração de calcofonias
Espírito de criança, doce alegria
De estar sentado, andando e respirando
A vida na simplicidade de estar
Além da minha vida em dissonantes alegrias
Dos complexos sentimentais em perfeitas sintonias
Com a confusão habitual na qual o homem se cria
É tanto confuso quanto bonito
Assim como fosco e límpido
Nas imagens do sonho de um cego
Essências que cotornam-se de abistrações
Velam-se dos panos de nossos lençóis
Aos sonhos, façam-se então minhas emoções
Tácteis, dúcteis nas minhas artérias
Não, tudo é mentira, tudo é matéria
O que me tira da velha intuição
De que a simplicidade se constrói
Na leitura do confuso
como uma poesia em que uma frase
Faz-se a solução metonímica
De sua existência para o seu próprio uso
Na simplicidade de suas colocações
Nas mais diversas posições
Fazendo então perfeitas nas difíceis
Compreensões do nosso próprio entendimento
Razão pela qual nós ficamos mais dentros
Das nossas definições sobre os conceitos
Que fazemos para aliviar nosso caloroso alento.
Gustavo Dib, 05 de Julho de 2011



