quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Sem conduta

Sem conduta
Deixem-me à sos com a minha vida
Nosso diálogo, nosso conosco ofício dual
Minha sinceridade me alívia
De dizer para ela que estou cansado
De falar que digo muito
E não falo nada demais
Me surpreendo com as idéias simples
As complexas não tão me interessam
Geniais demais

E os entulhos dessa cidadela
Entopem meu coração de calcofonias
Espírito de criança, doce alegria
De estar sentado, andando e respirando
A vida na simplicidade de estar
Além da minha vida em dissonantes alegrias
Dos complexos sentimentais em perfeitas sintonias
Com a confusão habitual na qual o homem se cria

É tanto confuso quanto bonito
Assim como fosco e límpido
Nas imagens do sonho de um cego
Essências que cotornam-se de abistrações
Velam-se dos panos de nossos lençóis
Aos sonhos, façam-se então minhas emoções

Tácteis, dúcteis nas minhas artérias
Não, tudo é mentira, tudo é matéria
O que me tira da velha intuição
De que a simplicidade se constrói
Na leitura do confuso
como uma poesia em que uma frase
Faz-se a solução metonímica
De sua existência para o seu próprio uso

Na simplicidade de suas colocações
Nas mais diversas posições
Fazendo então perfeitas nas difíceis
Compreensões do nosso próprio entendimento
Razão pela qual nós ficamos mais dentros
Das nossas definições sobre os conceitos
Que fazemos para aliviar nosso caloroso alento.

Gustavo Dib, 05 de Julho de 2011

Os loucos

Os loucos
Os loucos apenas acreditam no que vêem
como poderiar então entender a verdade
das pessoas e de todos os fatos
se as pessoas apenas os vêem!?

É a perfeição dos olhos que embeleza
Todas as fases de nossas vidas
Mas vemos tudo como é ou apenas
Interpretamos coisas como queremos que sejam?

Não verdade o seja o que os olhos mostram
Se não há uma vontade maior de viver o que vemos e
Não apenas estar rodeando superfícies ou
Apenas julgar quadros semi-estáticos.

Que os bobos vivam suas vidas estupidamente
Aos julgamentos dos sábios
E que os mesmo bobos vivam felizes suas loucuras
E os sábios morram loucos.
LOUCOS!

Gustavo Dib, Café! 14/05/2011

domingo, 3 de julho de 2011

Onde está você.

Onde está você.
Não há nada que possa mudar
Esses dias que sorrir é tão difícil e
Que nossa vontade era só a de ter alguém para amar
e algo para ocupar nossos braços
como abraços.

Não consigo viver, assim, tão vazio,
Sem aquele alguém que te entenda
Para sussurrar no ouvido,
De pertinho:
'Você não está sozinho'

Não sei mais o que fazer
Para fazer o que sonhar me faz
De estar sozinho para amar mais
Sem ter você

A vida me traz
Do meu antigo mundo perfeito
Para a frustração do meu ser imperfeito
É o que você me faz
Minha tristeza por dentro

Assim batendo no meu peito
O coração machuca
Procurando entender
-''onde está você?''

Gustavo Dib, Café! 14/05/2011

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Devaneios de um platônico

Devaneios de um platônico
Desejos mudos, uns quereres singelos
De natureza surda, que não te escutam,
Não sabem a hora de parar, nos tornam mais belos.
Só quando estão contigo eles mudam
Tornam-se então à falar
De querer, de sentir, de amar.

Nesses desejos contidos em silêncio,
Quando os dizeres permitem-se do porvir,
Caímos em febris angústias sem contágio.
Com palavras mudas, dizemos para o outro, enfim
Nossos medos nos confundem e nos impedem de tentar,
De querer sentir, de falar e de amar

Não há gesto mais bonito
Proteger sem conhecer, sem entender
Apenas sentir o que nos faz sentir vivos
Amar você, querer ter, querer sem enteder
Para sentir o inebriante perfume dos amantes
Que apenas sonham, sonham com sonhos distantes

Os sonhos lá nas nuvens, onde deveriam ficar
Para que possamos contruir pontes
Com o carinho e o zelo de quem apenas fica à olhar
O amor e a vida à sua frente, somos inocentes
Por que não tentar ligar as margens às pontas
Do sentir, do querer, do amar e do estar.

Estar ali frente à frente
Sem olhos para nós mesmos
Dizer com o coração inflamo
Apenas que te amo.
-Onde estamos?

Gustavo Dib, Café. 27/02/2011

domingo, 20 de fevereiro de 2011

A flor mais bonita


A flor mais bonita
O que vai acontecer
Daqui para frente?
Agora somos só eu e você
Em uma dança envolvente

Gestos simples, palavras doces
E todas as incertezas desaparecem.
Me sinto leve, o céu muda de cor,
Em nossa viagem ao outro, por um ardor.

Esqueço quem sou eu
Nessa primavera de sentimentos
Que nasce devagar e sem formas.

De repente, entre abraços e paixão,
Uma silhueta desconhecida de uma flor,
De pétalas lindas, o amor.

Gustavo Dib, Café. 20/02/2011

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Grande São Paulo


Grande São Paulo
Que saudade da Vila Mariana
De estar deitado naquela cama
Vendo o barulho dos carros ao passar
Daquela cidade que parece nunca parar

Que saudade do Ana Rosa
Das mulheres que ali deixei
Das camas que frequentei
E aquele prazer que sanava

Que saudade da Avenida Paulista
O coração do Brasil em uma única pista
Em dois caminhos sem ida e nem vinda
O gesto de ternura do frio e os sons da Vila Olimpia

Que saudade do meu Refúgio
Onde posso ser verdadeiramente poeta
Onde não me falta infinita inspiração
Que falta faz a minha cidade-coração.

Gustavo Dib, Café! 10 de Outubro de 2010

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Arte por arte


Arte por arte
Arte por arte à realidade.
Através dos meus esquadros,
os quadros-metades, dos sonhos,
antepostos às nossas caras-metades.

As vertentes existentes
às grandes três metades
onde estamos presentes
o eu, os sonhos e as verdades.

Sem encaixe perfeito,
nem mesmo perfeição.
Da origem no berço
aos beiços nos chão.

Nosso grande e soberano ofício
de construção e desconstrução,
de compensação e encaixe.
Olhar equilibrado nos limites, tudo é arte.
(Gustavo Dib, 15/02/2011)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Quem sou eu


Quem sou eu
Já não posso mais contar com o amanhã.
A cada dia que passa não sei o que se passa
Com o meu mundo que a cada dia que construo
E no outro se despedaça.

O mistério do outro dia já não soa interessante,
Para a minha vida que eu profano em vaidade,
De procurar nos sonhos algo que me traga a realidade
Esquecendo que os sonhos
Me perdem no milagre de sobreviver à insanidade.

Minha paixão por viver me faz querer
Tentar enxergar a graça,
Mas a minha doença de viver
Me torna frágil para crêr
Que eu possa receber tudo que pude oferecer,
Então, vivo no dilema
De estar vivo ou apenas sobreviver.

Minha cabeça já não é o melhor lugar,
Meu conforto não é mais pensar.
É complexo e está tarde.
A noite esconde toda a minha coragem
E a ela devo toda minha fidelidade
Dos momentos que pude sentir,
Longe das tormentas do cotidiano,
Um pouco da verdadeira felicidade.

E enquanto eu me transformo à cada dia,
Não me conformo com o que sentia.
Me deparo com quem eu não queria,
O meu Eu de outro dia,
Revelando à todos, as contradições,
De crescer à custa da noite fria
Sem o calor de uma mão que entenda
Que você não é o mesmo.
Noite e dia.

Gustavo Dib, Café.